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quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Especialistas desmentem eficácia de "suco milagroso" contra o câncer


  • Receita de limonada com bicarbonato de sódio para curar câncer é "balela", segundo especialistas
    Receita de limonada com bicarbonato de sódio para curar câncer é "balela", segundo especialistas
Um texto que promete a cura natural do câncer através de uma mistura de limonada com bicarbonato de sódio tem circulado na internet de tempos em tempos, especialmente nas redes sociais. Supostamente divulgado por um "Instituto de Ciências da Saúde", o documento afirma que o limão "é um produto milagroso para curar as células cancerígenas". Além disso, chama atenção por informar que a receita milagrosa é "10.000 vezes mais forte que a quimioterapia". O BOL buscou a opinião de especialistas para avaliar a veracidade da "medicação cítrica" e confirmou que as informações são falsas - a receita chega a ser ingênua e não passa de uma "balela".

"A literatura médica desconhece evidências sólidas de que o limão ou a limonada com bicarbonato possam ser anticancerígenos e, muito menos, substituir tratamentos quimioterápicos", explicou Pilar Estevez Diz, oncologista clínica e coordenadora do ICESP (Instituto do Câncer do Estado de São Paulo).
Pilar também rebate um trecho do texto que salienta que a cura através do "suco milagroso" acontece porque o extrato da fruta altera o pH (potencial hidrogeniônico que indica o índice de acidez, neutralidade ou alcalinidade do organismo, além de regular o metabolismo). Ela explica que não é apenas a alteração de pH que leva à cura da doença e ressalta que toda linha de terapia para o câncer passa por investigações rigorosas. "É importante desmitificar essa informação, que chega a ser ingênua, porque se deve pensar na segurança do tratamento, que não pode causar mais efeitos que a própria doença", falou a oncologista.
Eliana Pereira Vellozo, nutricionista e pesquisadora da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), considerou o texto uma "balela", mas falou sobre a importância de alimentos oxidantes, como, por exemplo, o limão, e até onde eles podem ser benéficos.
"Nos alimentos é encontrada uma grande variedade de substâncias que podem cooperar com a proteção das células e tecidos. É perfeitamente possível que um antioxidante atue como protetor em determinado sistema, mas que falhe na assistência, ou mesmo que aumente as lesões induzidas em outros sistemas, ou tecidos", esclareceu.
Rico em vitamina C e P, o limão pode ajudar no fortalecimento dos tecidos capilares e conjuntivos, evitando sangramentos, como os de gengiva, além de ser cicatrizante. É útil no tratamento de edemas, ativa a circulação, regula o colesterol e pode aumentar a resistência contra infecções e viroses e contribuir para o alívio de gripe e resfriado.
O limão pode, portanto, contribuir para fortalecer o organismo e prevenir doenças, assim como outros alimentos, mas não existe receita milagrosa para a cura do câncer, como promete a receita que circula na web.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), entre 2011 e 2012, aproximadamente 512 mil pessoas foram diagnosticadas com algum tumor e, até 2030, 17 milhões de pessoas em todo o planeta morrerão vítimas da doença. E a melhor maneira de combate ao câncer ainda é a prevenção; veja a seguir os 10 mandamentos para evitar a doença, segundo o INCA (Instituto Nacional de Câncer).

Saiba o que você pode fazer para prevenir o câncer



Foto 1 de 14 - Uma alimentação saudável pode reduzir muito o risco de câncer. Sua dieta deve conter diariamente, pelo menos, cinco porções de frutas, verduras e legumes. Evite frituras, salgadinhos e alimentos gordurosos e capriche na ingestão de fibras, que evitam o câncer colorretal

Fontes: UICC, Inca e Fundação do Câncer Mais Thinkstock


domingo, 3 de fevereiro de 2013

Coçar os olhos e usar colírio por conta própria podem causar problemas irreversíveis


  • Muitos problemas de visão também podem ser prevenidos com visitas periódicas ao oftalmologista
    Muitos problemas de visão também podem ser prevenidos com visitas periódicas ao oftalmologista
No verão, é comum as pessoas se lembrarem de passar protetor solar. Mas muita gente se esquece de usar óculos escuros. Os olhos, que também precisam de cuidados especiais nessa época do ano, geralmente são negligenciados. Não cuidar bem deles pode causar uma série de problemas – alguns irreversíveis.

O principal cuidado é fazer visitas periódicas ao oftalmologista. Muita gente só procura esse profissional quando sente algum incômodo – o que geralmente é sinal de um problema já enraizado ou em estágio avançado. "Muitos problemas de visão podem ser prevenidos com visitas periódicas ao oftalmologista. Casos que acabam se tornando graves poderiam ser resolvidos com um simples consulta", alerta a oftalmologista Andréa Lima Barbosa, diretora-médica da Clínica dos Olhos São Francisco de Assis (RJ).

Para as pessoas que já têm problema de visão ou estão acima dos 40 anos, a recomendação é que a consulta seja feita anualmente. Os mais jovens e sem problemas oculares podem se consultar a cada dois anos.
Usar óculos de sol é fundamental, especialmente em um país tropical como o Brasil. E isso não deve ser feito apenas no verão: durante todo o ano os olhos devem ser protegidos dos raios ultravioletas.

"Óculos com proteção contra raios UV devem ser usados em todas as estações, sempre que se fica exposto a essa radiação por mais de 15 minutos", explica Eduardo Rocha, professor de oftalmologia da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP. Sem a proteção adequada, a radiação pode causar problemas como irritações, queimaduras na córnea e tumores, além de favorecer o desenvolvimento de catarata e degeneração macular.

Mas é preciso ficar atento à qualidade dos óculos. Não basta que sejam escuros; eles devem ter filtro contra os raios ultravioletas – caso contrário, podem ter efeito oposto, pois dilatam a pupila, permitindo a entrada de mais luz e, consequentemente, de mais raios nocivos.

Nunca coçar os olhos

Também é preciso prestar muita atenção a alguns hábitos que muitas pessoas têm, como coçar os olhos ou usar colírios sem prescrição médica. Coçar os olhos pode causar sérias lesões na córnea, e até mesmo levar ao desenvolvimento da ceratocone, uma deformação da córnea que a torna mais fina e com formato mais cônico.

Além disso, coçar os olhos com as mãos sujas aumenta o risco de alergias, irritações e até mesmo conjuntivite infecciosa. Usar colírio sem receita também traz riscos: "o uso indiscriminado de colírios pode causar uma importante perda de visão e até cegueira", alerta Carlos Eduardo Arieta, professor do Departamento de Oftalmologia e Otorrinolaringologia da Unicamp.

Alimentando os olhos

Uma alimentação adequada é essencial para manter a saúde dos olhos. Ela pode ajudar a fortificá-los e até mesmo a evitar o surgimento de alguns problemas. "Uma alimentação equilibrada, a fim de se ter um aporte de diversas vitaminas (incluindo a vitamina A), é muito importante para os olhos", diz o médico Jayter Silva de Paula, professor da faculdade de medicina de Ribeirão Preto da USP (Universidade de São Paulo).
Um dos principais nutrientes para a saúde dos olhos é a vitamina A. Tanto que um dos primeiros sintomas de sua deficiência no organismo é a cegueira noturna. Portanto, é importante consumir alimentos ricos neste nutriente, como cenoura, abóbora, espinafre e fígado. Certos minerais também estão ligados à saúde dos olhos, como o zinco, que ajuda a reduzir o risco de DMRI (degeneração macular relacionada à idade).

Os carotenoides luteína e zeaxantina estão diretamente ligados à saúde dos olhos, pois são encontradas na mácula (parte central da retina). Encontrados na laranja, mamão, couve-flor, ervilha e brócolis, absorvem o excesso de luz, têm efeito antioxidante e evitam o acúmulo de gordura no interior dos vasos oculares.

Os antioxidantes também são muito importantes para a visão. Isso porque os olhos sofrem, assim como o resto do corpo, um processo natural de degeneração. E esses nutrientes impedem o dano celular causado pela oxidação. Segundo um estudo feito pelo National Institute of Health (The Age-Related Eye Disease Study - AREDS) os altos níveis de antioxidantes presentes nas vitaminas A, C e E reduzem significativamente o risco de desenvolver DMRI (Degeneração Macular Relacionada à Idade), e protegem os olhos contra a aterosclerose (acúmulo de gordura nas paredes internas dos vasos oculares).

Veja mitos e verdades sobre a saúde dos olhos




Foto 9 de 17 - Não é preciso prescrição médica para usar colírio. MITO: colírios também são medicamentos e devem ser usados com cautela. Seu consumo indiscriminado pode causar mais problemas do que resolvê-los. "O uso de colírios, incluindo os chamados adstringentes, só deve ser feito com recomendação médica. Já a utilização de alguns colírios sem controle, como os de antibióticos e de cortisona, pode causar perda de visão importante e até cegueira", alerta Carlos Eduardo Arieta, professor do Departamento de Oftalmologia e Otorrinolaringologia da Unicamp

Noticia retirada do UOL

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Tratamento alternativo com água promete cura de doenças e rejuvenescimento celular


  • O pH da água alcalina é um dos diferenciais da água hexagonal e é também o que promete o rejuvenescimento
    O pH da água alcalina é um dos diferenciais da água hexagonal e é também o que promete o rejuvenescimento
Ela é pouco conhecida no Brasil e polêmica entre a comunidade científica, mas promete uma revolução no organismo. Trata-se da água hexagonal, famosa em outros países por suas propriedades curativas, efeitos medicinais e, até mesmo, porque teria o poder de retardar o envelhecimento.

Frederico Cesarino, 35, é engenheiro mecânico e produz sua própria água hexagonal para combater dores estomacais. "Eu sofria de uma acidez crônica no estômago e nunca mais as tive a partir do momento que passei a tomar água hexagonal quase todo o tempo. Também sinto que hoje tenho mais disposição que há cinco anos", diz.

Ele conheceu a água hexagonal nos Estados Unidos por meio do dono da empresa onde trabalhava. "Meu ex-patrão tinha 92 anos, na época, e uma vitalidade incrível. Uma vez ele me disse que o que lhe dava energia era vinho tinto e água hexagonal."

A curiosidade fez com que o engenheiro pesquisasse como produzir sua própria água hexagonal. "Comprei um kit de medição de pH, um ionizador/deionizador (equipamentos usados em piscinas que repõem ou removem íons da água) e com a ajuda de um amigo químico peguei algumas dicas sobre composição química da água. Uso água destilada para esse processo, que leva uma noite toda para corrigir o pH, tornando-a alcalina, e ajustar a configuração das moléculas para ficarem hexagonais".
O pH da água alcalina (acima de 7,5) é um dos diferenciais da água hexagonal e é também o que promete, segundo seus adeptos, o rejuvenescimento celular. A estrutura é composta por seis moléculas individuais de água ligadas por hidrogênio, formando um hexágono, daí o nome "hexagonal". Isso facilita a absorção de nutrientes das células e melhora o aproveitamento da água no organismo.
Tratamento não é reconhecido

Mas há o outro lado dessa revolução. O PhD em engenharia sanitária e ambiental Frederico Lage Filho alerta para os cuidados com o excesso de alcalinidade no organismo: "Deve-se ter cautela com o alto teor de sais, principalmente pessoas com tendência a terem cálculo renal, pois os sais são resíduos sólidos que ficam presos nos rins durante a filtragem do sangue e podem se acumular com o tempo. Não é um tipo de água recomendada para tomar constantemente".

Assim como a água hexagonal, outros tipos são considerados terapêuticos. Porém, por conter mais sais minerais, podem causar alterações intestinais ou até mesmo desconforto no estômago, se ingeridas em excesso.
"Conhecendo melhor as características de cada água, como as mais alcalinas, por exemplo, poderemos usar esse conhecimento na adaptação de receitas, melhorando molhos, caldos e neutralizando a acidez", afirma o diretor de nutrição do Hospital do Coração, Daniel Magnoni.
Noticia retirada do UOL

Envolvidos na tragédia de Santa Maria (RS) podem ter transtorno similar ao de sobreviventes de guerra

É comum nos primeiros dias após o trauma, pessoas terem pesadelos, ansiedade, insônia e outros sintomas
  • É comum nos primeiros dias após o trauma, pessoas terem pesadelos, ansiedade, insônia e outros sintomas
Autoridades que vêm cuidando de sobreviventes, familiares das vítimas e profissionais envolvidos no resgate do incêndio de Santa Maria (RS) estão preocupadas com a possibilidade de que essas pessoas venham a desenvolver transtornos psicológicos similares aos que são vivenciados por sobreviventes de guerras.
O ministro da Saúde Alexandra Padilha declarou nesta terça-feira (29) que, entre os profissionais destacados para dar suporte aos envolvidos na tragédia, há um equipe da PUC do Rio Grande do Sul que atuou no suporte psiquiátrico de familiares das vítimas do ataque de 11 de setembro de 2001 às Torres Gêmeas, nos Estados Unidos.

O distúrbio que mais preocupa é o transtorno do estresse pós-traumático (TEPT). Pessoas que sobrevivem a desastres ou sequestros, perdem um ente querido de forma abrupta e violenta, voltam de um campo de batalha ou trabalham salvando vidas são as mais propensas a sofrer deste mal. Antes chamado de neurose traumática de guerra, o transtorno foi renomeado nos anos 1980 por psiquiatras norte-americanos.

"Apesar do incêndio ter sido um evento com começo e fim rápidos, ao contrário de uma guerra, que pode durar anos, foi algo que fugiu totalmente à rotina. Além disso, a reação fisiológica do corpo ao acontecimento é a mesma", compara a psicóloga Ana Carolina Furquim, da Clínica Medicina do Comportamento, em São Paulo. Sobreviventes do incêndio viram amigos e parentes morrerem, assim como soldados que perdem colegas no campo de batalha.

O psiquiatra Luiz Carlos Coronel, diretor-secretário da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), concorda: "A guerra é muito parecida", diz. Segundo ele, estudos mostram que, especialmente em populações muito vulneráveis, é comum surgirem problemas mentais após um acontecimento dessa proporção. O psiquiatra frisa que, agora, é importante também cuidar dos outros: "O grande trabalho é prevenir estes transtornos no que chamamos de segunda onda, ou seja, os familiares e profissionais envolvidos, para que eles não adoeçam".
 

SINTOMAS COMUNS DO TRANSTORNO DO ESTRESSE PÓS-TRAUMÁTICO

Angústia
Ansiedade
Embotamento emocional
Esquivação
Evitar pessoas e lugares
Excitabilidade
Falta de apetite
Falta de concentração
Hipervigilância
Insônia
Lembranças involuntárias
Medo de sair à rua
Medo fóbico
Pesadelos
Resposta de sobressalto
Revivência
Sonhos de repetição
Pesadelos e insônia

O psicólogo e professor da PUC-RS Christian Haag Kristensen, que coordena a força-tarefa em Santa Maria, afirma que é comum nos primeiros dias que se seguem ao trauma as pessoas terem pesadelos, ansiedade, insônia e outros sintomas. "As pessoas precisam entender que isso vai passar, que é comum", afirma.
O psicólogo explica que a intervenção é baseada em etapas. "Neste primeiro momento estamos auxiliando e amparando emocionalmente as famílias e os sobreviventes", conta.
Para Kristensen, a maioria dos envolvidos irá se recuperar ao longo dos meses. "Algumas pessoas podem ter transtorno estresse agudo, porém, se após o primeiro mês os sintomas continuarem, daí, sim, pode-se diagnosticar o TEPT".

Ele afirma que algumas pessoas seriam mais suscetíveis ao transtorno, como aquelas que usam e abusam de substâncias, que já tinham uma experiência traumática prévia ou algum problema mental.
A psicóloga Ana Carolina Furquim conta que, nos Estados Unidos, estudos mostram que de 10% a 50% podem desenvolver o transtorno do estresse pós-traumático após um evento dessa magnitude. Mulheres seriam mais vulneráveis. "Minha hipótese é que isso aconteça porque a mulher é criada desde menina para cuidar, ficar atenta ao que acontece ao ambiente".

Ela lembra, ainda, que conta também a sensibilidade da pessoa e sua atividade profissional. Bombeiros e policiais, que estão constantemente expostos a essas tragédias, têm mais disposição ao transtorno. Taxistas e coveiros de Santa Maria também começaram a buscar ajuda psicológica.
Não só os envolvidos
"Não só pessoas diretamente envolvidas podem ter TEPT. As que estiveram naquele local ou que viram as imagens pela televisão também podem, pois o cérebro mistura real e virtual. São pessoas com pré-disposição. Isso aconteceu muito nos Estados Unidos após os atentados do 11 de setembro", lembra ela.

Furquim, que atende pacientes com o transtorno vítimas da violência em São Paulo, lembra do caso de uma paciente que soube de uma mulher muito próxima que havia sido estuprada. "Ela não presenciou aquilo, mas ouviu como aconteceu e começou a ter medo de sair de casa. Estava no meio de uma aula na faculdade e começou a imaginar toda uma cena onde ela era a pessoa violentada."
A psicóloga acredita que muita gente vá evitar, por um tempo, ir a boates ou clubes. E quem for, vai prestar mais atenção em detalhes que antes passavam despercebidos, como saída de emergência e presença de extintores.

Tratamento

O tratamento, segundo o diretor da Associação Brasileira de Psiquiatria, está dividido em três partes: medicamento, psicoterapia cognitivo-comportamental centrada no trauma e apoio psicossocial da família e de amigos. Além disso, ele lembra uma regra importante: "Todo traumatizado, aquele com sequelas, tem necessidade de falar sobre o assunto. Fica repetindo sua história. Quem ouve não pode reclamar. Isso é bem-vindo, pois aquela pessoa está transbordando, tudo foi um ‘tsunami’ para ela".
A psicóloga ensina que quanto mais cedo se procurar ajuda, melhor. Porém, pode acontecer de uma pessoa apresentar os sintomas do TEPT mesmo seis meses depois do trauma. "Ela fica anestesiada por um tempo e, depois, vem o famoso ‘cair a ficha’", descreve.

Há pessoas que veem semelhanças entre o TEPT e a síndrome do pânico, mas ela explica que a diferença é que o transtorno do estresse pós-traumático surge em decorrência de um evento externo. Já o pânico pode surgir sem que exista uma causa conhecida.
Furquim cita a frase da médica Ana Beatriz Barbosa Silva, que dirige a clínica onde ela atua e é autora de vários livros sobre transtornos psiquiátricos, como "Mentes Inquietas" (Ed. Objetiva/Fontanar): "O TEPT é como um calo. É um calo que não sai da memória, algo impossível de se esquecer. Um pensamento que parece roubar sua memória".
Veja a noticia completa no UOL

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Cuidados com a alimentação podem aliviar os sintomas da TPM

Os sintomas mais comuns da TPM são dor nas mamas, dor de cabeça, fadiga, irritabilidade, depressão, desconforto abdominal, sensação de inchaço no ventre e nos membros inferiores
Dor de cabeça, inchaço no corpo, dor nas costas e nas pernas, irritação. Que mulher nunca sentiu esses sintomas naquela fase do mês? É claro, há aquelas que sentem mais, umas menos, outras frequentemente, algumas apenas de vez em quando. Mas o certo é que os sintomas da TPM acompanham – e dificultam – a vida da maioria das mulheres. Porém, eles podem ser aliviados de modo bem simples: pela alimentação.

A TPM é caracterizada por um conjunto de sintomas físicos e psíquicos que são manifestados cerca de dez dias antes da menstruação e passam logo após o início da mesma. Algumas vezes os sintomas são tão severos que interferem nas atividades do dia a dia e podem até impossibilitar a mulher de trabalhar.

“Os sintomas mais comuns são mastalgia (dor nas mamas), cefaleia (dor de cabeça), fadiga, irritabilidade, depressão, dificuldade de concentração, desconforto abdominal, sensação de inchaço no ventre e nos membros inferiores entre outros”, explica a ginecologista e obstetra Lúcia Alves S. Lara, especializada em sexologia e médica do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP.

Em baixa

Durante a TPM, geralmente ocorre uma diminuição nos níveis de vitamina B6 no organismo. E as consequências são nervosismo, irritabilidade e depressão. Isso porque a vitamina B6, entre outras funções, participa do equilíbrio hormonal e da reserva de energia. Então é preciso repor a vitamina através de alimentos como carnes, grãos integrais, banana, batata, lentilha, noz, ervilha e feijão.

O cálcio também é um elemento que sofre uma baixa durante este período, e também precisa ser reposto. Como o leite é a maior fonte de cálcio, a recomendação é consumi-lo, assim como seus derivados: iogurtes, queijo e sorvete.

De acordo com o médico nutrólogo Edson Credídio, professor do Departamento de Alimentos da Unicamp e coordenador do sistema NutroSoft, além desses alimentos também é recomendável consumir abacate, abacaxi, alface, canela, cenoura, feijão de soja, melão, salsa, camomila e grão de bico. “Todos apresentam compostos que atuam na TPM”, afirma. Credídio também orienta que o ideal é consumi-los o mês todo, mas se não for possível, iniciar o consumo por volta de 15 a 10 dias antes da menstruação para que seus efeitos sejam sentidos.

Ai, que cólica!

Além da falta de nutrientes, também ocorre retenção de líquidos durante a TPM. Para evitar – ou ao menos amenizar – esse problema, é indicada a ingestão de bastante líquido, principalmente água. Chás de frutas (de preferência sem açúcar) e água de coco também são recomendados.

Já para as dores do seio, a vitamina E vem demonstrando ser eficaz para diminuí-las em várias pesquisas. A vitamina E é encontrada na gema do ovo e também em cereais integrais e nas frutas oleaginosas, como castanhas e nozes.

Mas e na hora que bate aquela cólica? Muitas mulheres sofrem com esse que é considerado o pior sintoma da TPM, e que geralmente aparece poucos dias antes do início da menstruação. Mas isso também pode ser aliviado com a alimentação adequada. “Açafrão, ameixa, chicória, couve, hortelã, milho, mil folhas e tomilho são apontados como eficazes para aliviar a cólica”, aponta Credídio.

Que vontade de comer chocolate!

De repente, no meio de todos os sintomas desagradáveis da TPM, bate aquela vontade de comer doce – especialmente chocolate. Mas é apenas mais um sintoma. O que o causa é a escassez de magnésio no organismo que ocorre no período. As consequências são fadiga, cãibras, irritabilidade e insônia.

Como o cacau é rico nesse nutriente, o organismo pede o alimento, numa tentativa de reverter o quadro. “A compulsão alimentar por chocolate em mulheres com TPM pode ser em decorrência da deficiência de magnésio, a qual deve ser corrigida com alimentos fonte deste nutriente”, explica Letícia Bizari, nutricionista do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP.

Para repor o magnésio, o mais indicado é consumir alimentos mais saudáveis, como aveia, arroz integral, milho, lentilha, soja, frutas oleaginosas e vegetais folhosos verde-escuros. Frutas também são uma boa pedida, pois saciam a vontade de comer doce sem comprometer a saúde.

Se a vontade de comer chocolate for incontrolável, deve-se preferir os com alto teor de cacau, mais ricos em magnésio e que possuem flavonoides (antioxidantes que ajudam a proteger os vasos sanguíneos), além de saciar mais, ou seja, porções menores já matam a vontade de comer o doce.

Fora do cardápio

Assim como alguns alimentos aliviam os sintomas da TPM, outros podem agravá-la. Este é o caso do sal. Frequentemente mulheres que sofrem com a TPM apresentam retenção de líquidos, que causam desconfortos como inchaço, dores abdominais e nos seios e até ganho de peso. E o sal agrava essa situação.

“É importante evitar itens com grande quantidade de sal, como embutidos (lingüiça, salsicha, presunto, mortadela, entre outros), produtos em conserva, temperos industrializados e salgadinhos”, recomenda Lara.

Outra dica importante é evitar alimentos ricos em cafeína, que tendem a aumentar a irritabilidade, o nervosismo, a insônia e as dores de cabeça. Assim, é importante ficar longe (ou pelo menos diminuir consideravelmente o consumo) de café, refrigerantes à base de cola e guaraná.

“Devido aos efeitos estimulantes que podem aumentar a irritabilidade, deve-se evitar esses alimentos nesse período, os quais são ricos em xantinas, substâncias que agravam a irritabilidade e as alterações de humor”, enfatiza Bizari.

Alguns chás devem ser evitados pelo mesmo motivo. Chás preto, verde e mate, por exemplo, também contém cafeína e não devem ser consumidos nesta época. No entanto, os chás que são calmantes naturais, como camomila, erva cidreira, melissa, alfazema e valeriana, são altamente recomendados, pois além de contribuir para aliviar a retenção de líquidos, também ajudam a relaxar e melhoram a qualidade do sono.

Noticia retirada da UOL
http://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/redacao/2012/08/23/cuidados-com-a-alimentacao-podem-aliviar-os-sintomas-da-tpm.htm